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Diagrama de Ishikawa (espinha de peixe): como montar passo a passo

O diagrama de causa e efeito organiza as possíveis causas de um problema em categorias, para investigar todas as frentes antes de agir. Passo a passo com exemplo em tabela.

Por Alesandro Fernandes · 29/09/2026 · Atualizado em 29/09/2026 · 4 min de leitura · Para colaborador, gestor · Como produzimos este conteúdo

Capa ilustrada: Diagrama de Ishikawa (espinha de peixe): como montar passo a passo

O diagrama de Ishikawa — também chamado de diagrama de causa e efeito ou diagrama espinha de peixe, pelo formato do desenho — organiza as possíveis causas de um problema em categorias, para que a equipe investigue todas as frentes antes de escolher onde agir. A ferramenta foi popularizada por Kaoru Ishikawa e descrita em seu Guide to Quality Control (ISHIKAWA, 1976) e, mais tarde, em ISHIKAWA (1985); Tague (2005) a apresenta como uma das ferramentas básicas da qualidade para estruturar sessões de levantamento de causas em grupo.

As categorias (6M)

Uma convenção comum para organizar as causas — sobretudo em ambientes de produção — são as seis categorias conhecidas como 6M:

CategoriaPergunta
MáquinaO equipamento, ferramenta ou sistema usado contribui para o problema?
MétodoA forma como o trabalho é feito — o procedimento, a sequência — contribui?
MaterialA matéria-prima, insumo ou informação recebida contribui?
Mão de obraTreinamento, experiência ou dimensionamento da equipe contribuem?
MediçãoO instrumento ou critério usado para medir o resultado é confiável?
Meio ambienteTemperatura, ruído, layout ou outras condições do ambiente contribuem?

Nem todo problema precisa das seis categorias — em processos administrativos, por exemplo, "máquina" às vezes dá lugar a "sistema" ou "tecnologia". O que importa é usar as categorias como um guia para não esquecer nenhuma frente de investigação.

Passo a passo

  1. Escreva o problema (o "efeito"). Com fatos, não em termos genéricos: "refugo de 6% na linha 2 desde julho", não "muito refugo".
  2. Defina as categorias de causas. Use o 6M como ponto de partida ou adapte às categorias que fazem sentido para o seu processo.
  3. Liste causas possíveis em cada categoria. Faça isso em grupo, com quem conhece o processo. Nesta etapa, registre tudo — sem julgar se é provável ou não.
  4. Aprofunde as causas mais citadas ou mais plausíveis. Para cada uma, pergunte "por quê?" mais uma ou duas vezes — é aqui que o diagrama se conecta aos 5 porquês.
  5. Marque as causas prováveis. Vote ou discuta em grupo quais merecem ser investigadas com dados antes de agir.
  6. Confirme com dados. Uma causa "provável" só se torna causa raiz depois de confirmada — observação, registro histórico ou teste.

Exemplo hipotético: atraso na resposta a chamados de suporte

CategoriaCausas possíveis levantadas pela equipe
MétodoChamados não são classificados por prioridade na abertura
Mão de obraEquipe reduzida nos horários de pico; poucos atendentes treinados nos chamados mais complexos
MaterialBase de conhecimento desatualizada; atendente perde tempo procurando a solução
MediçãoPrazo de resposta não é acompanhado em tempo real, só no relatório mensal
MáquinaSistema de chamados lento em determinados horários

Nesse exemplo, discutir as cinco categorias evita a armadilha de já sair contratando mais gente (mão de obra) sem checar se a causa mais relevante é, na verdade, a falta de classificação por prioridade (método) — mais barata de corrigir.

Cuidados

  • O diagrama organiza hipóteses; ele não prova qual é a causa raiz. A confirmação exige dados.
  • Evite causas vagas demais para investigar ("falta de comprometimento"). Reescreva até virar algo verificável.
  • Não pule direto para "máquina" ou "material" só porque são causas mais confortáveis de assumir do que método ou mão de obra.

Depois de identificar as causas mais prováveis, use os 5 porquês para chegar à causa raiz de cada uma.

Referências

  • ISHIKAWA, Kaoru. Guide to quality control. Tóquio: Asian Productivity Organization, 1976.
  • ISHIKAWA, Kaoru. What is total quality control? The Japanese way. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1985.
  • TAGUE, Nancy R. The quality toolbox. 2. ed. Milwaukee: ASQ Quality Press, 2005.

Alesandro Fernandes

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